Arquivo da tag: Carnaval

A CHATICE DA VIDA ATUAL

A CHATICE DA VIDA ATUAL!

Carnaval a maior festa popular brasileira
Carnaval a maior festa popular brasileira

Criaram uma palavra que para mim nada significa: bullying, tive que ver no Google como se escrevia.

Quando era criança, os vários amigos com que fomos criados juntos tinham apelidos.

Começam com diminutivos do nome próprio, passava pelos apelidos herdados de familiares e o mais importante, eram os apelidos dados pelos irmãos e amigos, pois esses vingariam para sempre.

Alguns eram por aparência, outros por comportamento, por vícios de linguagem ou por trejeitos. Esses apelidos ninguém tirava, mesmo depois de adultos os apelidos da turma e nas famílias dos irmãos são permanentes.

Mas hoje com essa babaquice importada, tentam acabar com até festas tradicionais. Alguns idiotas alteraram a letra da musiquinha infantil: “atirei o pau no gato” e dessa forma nenhuma criança canta essa antiga melodia que era usada para brincar de roda, aliás, depois disso acabaram com a brincadeira de roda pra criança.

Lembro que ainda morava em Aracajú quando no carnaval as bandas musicais tocaram uma música que tinha sido um sucesso estrondoso de meio de ano “Quero que vá tudo pro inferno” sucesso de 1965.

Acredito que foi aí que começou o que as gravadoras, todas as grande eram estrangeiras e se fosse hoje seriam internacionais, de disco mais queriam: acabar com músicais sazonais.

Carnaval a maior festa do Brasil
Carnaval a maior festa do Brasil

As marchinhas de carnaval começavam a ser divulgadas levemente no mês de dezembro e em janeiro e fevereiro era que tinham a sua divulgação com mais força, dessa forma dominavam o carnaval de norte a sul do país, apesar das festas carnavalescas manterem o que era sua tradição local.

As marchinhas primavam pelo bom humor, críticas políticas, críticas ao conservadorismo, críticas aos modernismos e aos antigos e novos costumes, quanto mais crítica maior sucesso.

Com o advento dos festivais foram realizados escolhas de músicas para carnaval que a modernidade havia abolido é assim marchas e marchas-ranchos explodiram em todo o Brasil.

Hoje alguns paspalhos querem retirar dos Carnavais músicas como “O TEU CABELO NÃO NEGA (Lamartine Babo-Irmãos Valença, 1931)”, “ME DÁ UM DINHEIRO AÍ (Ivan Ferreira-Homero Ferreira-Glauco Ferreira, 1959)”,”MARIA SAPATÃO ( João Roberto Kelly e Chacrinha , 1981)”, “SACA-ROLHA (Zé da Zilda-Zilda do Zé-Waldir Machado, 1953)”, “MAMÃE EU QUERO (Jararaca-Vicente Paiva, 1936)”,”CACHAÇA (Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato, 1953)”, “CABELEIRA DO ZEZÉ (João Roberto Kelly-Roberto Faissal, 1963), “MAMÃE EU QUERO (Jararaca-Vicente Paiva, 1936)”.

O melhor do Brasil-CARNAVAL
O melhor do Brasil-CARNAVAL

Os novos ventos tentaram reviver a escolha de marchinhas, mas todas escolhidas não emplacaram, na minha opinião o festival que escolhia acabava sempre próximo do início do carnaval, as rádios não divulgavam como antigamente por dois(2) meses e depois da enxurrada dos discos com sambas de escolas de samba que foram também discriminadores e traziam no seu bojo a obrigação de carnaval com aqueles sambas, fez com que as velhas marchinhas voltassem a emplacar.

Agora querem acabar de novo com o carnaval, a liberdade, a crítica e o humor próprio do carnaval brasileiro, que além do samba, tem o frevo, tem a marcha-rancho, o bumba-meu boi e mais de uma centena de danças e músicas regionais locais incorporadas à festa popular de maior alcance no Brasil.

CARNAVAL o Brasil mais brasileiro
CARNAVAL o Brasil mais brasileiro

Ninguém mais vê o CARNAVAL como a liberação para que se desse o início da Quaresma ou do jejum, do sofrimento que se seguia religiosamente após a quarta-feira de cinzas.

LIBERDADE, OUSADIA, PAZ, ALEGRIA assim deve ser a maior festa popular brasileira.

NÃO À REPRESSÃO.

A explosão dos blocos no carnaval de rua e a cerveja.

carnaval 2016
carnaval 2016

O carnaval de rua no Brasil sempre existiu e tinha quase sempre a crítica aos bons costumes e à política. Com a ditadura militar a repressão tentou acabar com manifestações populares e uma das saídas foi utilizar o carnaval.

Lembro que em Aracajú-SE nos bailes carnavalescos (1966) ao som do frevo na época dos bailes caranavalescos em clubes, ao ser tocado o frevo FOGÃO de Sergio Lisboa (https://www.youtube.com/watch?v=6XruFqqeq9o), quem estava nos clubes cantava Arraes, Arraes e aí ao aparecer uma viatura militar parava a cantaria e os militares iam embora.

Vim para o Rio em dezembro de 1964, o carnaval de rua existia mais forte nos bairros da zona norte nos coretos montados nas praças. No centro da cidade o desfile de escolas de samba e dos blocos O Bafo da Onça, Boemios de Irajá, Cacique de Ramos e o mais famoso o Coradão da Bola Preta.

Na zona sul, as bandas comandadas pela Banda de Ipanema eram o que havia de carnaval. Tempos depois apareceram blocos, o Bloco Simpatia é Quase Amor, o Bloco do Barbas, Bloco de Segunda, Suvaco do Cristo, Carmelitas etc que passou a conclamar mais jovens. Com o passar dos anos foi só aumentando o número de blocos.

Foram criadas associações que representavam os blocos, da mesma forma a Liga que representa as Escolas de Samba e a profissionalização começou a preocupar, havia uma visão de que os blocos eram e de certa forma ainda tentam ser representação da organização popular.

Nas gravadoras de disco começou a divulgação do disco com os sambas das escolas do Rio de Janeiro, pois tinham a vantagem de vender durante todo o ano. Com o passar do tempo as gravadoras, que desligaram as marchinhas, passaram a incentivar outros ritmos no carnaval. Bem aí veio a internet e acabou com a farra das gravadoras. Hoje as marchinhas cantadas nos blocos são todas do século passado ou anterior.

Mas o avanço do capital é impressionante e as cervejarias tomaram conta.

Começou com a disputa entre duas marcas de cerveja, que terminaram se fundindo comercialmente e hoje é uma só, não há mais disputa para ver quem mais blocos financia. Afinal a interferência na Prefeitura que foi obrigada a garantir a folia – forçada pelos blocos organizados, horários e principalmente banheiros públicos. E a grandiosidade não pertencia mais só aos blocos tradicionais. A orla da praia já não mais comportava os blocos, e o centro da cidade foi dividido cada um com seu dia. Agora blocos temáticos, onde haviam figuras midiáticas da música passaram a conduzir blocos. Um pouco como acontece em Salvador. Houve reação, mas o carnaval como festa popular tem lugar para todos.

Quem brinca carnaval: bebe por sede ou para aumentar o prazer. E aí as cervejas tiveram sua garantia de lucro afirmada pelas prefeituras,. Hoje a explosão do carnaval de rua é garantido pelas cervejas que recebem do poder público a garantia de que só uma marca vende nos camelôs autorizados. Tem a vantagem da uniformidade dos preços, mas também não tem a diversidade de cervejas.

Qual será o nome dos profissionais que hoje começam a dirigir o carnaval de rua? Em breve uma das universidades os formarão em um MBA, esse profissional que será disputado a peso de ouro, pois há a garantia da verba pública e há o interesse privado no evento.

As ruas não mais são enfeitadas como antigamente, nem o sambódromo, a transmissão das escolas de samba já é monopólio na TV e bem que tentou, mas não conseguiu no Rio monopolizar os blocos.

Afinal, após o carnaval deveriam ser divulgadas os dados da venda de cervejas (em litros) e outras bebidas nesse período, que de 4(quatro) dias passou para 15(quinze) dias e há quem deseje realizar outro carnaval em outra data.

Quando a grana circulante aumenta, surge a corrupção e as benesses dos endinheirados.

Cuidado não é só o aumento da folia que ameaça a festa, que é necessária e bem-vinda, existe o risco da famosa frase do imperador romano Vespasiano, mentor da construção do coliseu, ser incorporada ao evento, disse ele: “Pão e circo para o povo”.  Lembrem-se também de Maria Antonieta e a frase “Se não têm pão, comam brioches”, o povo  gradualmente a antipatizou e a acusava de perdulária e promíscua e de influenciar o marido a favor dos interesses austríacos.

O carnaval tem que continuar como uma festa popular.

Muito cuidado, pois a ida com muita fome ao pote pode acabar com o ouro.

Abaixo a transcrição de trecho do artigo do Jânio de Freitas na OPINIÃO PÚBLICA(OP), jornal Folha de São Paulo alertando para esse evento financeiro.(leia na íntegra: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/janiodefreitas/2016/02/1738503-carnaval-da-guerra.shtml)

“11/02/2016 – 02h00 – Janio de Freitas – OPINIÃO PÚBLICA 9OP0 – jornal folha de São Paulo

Parecia Carnaval, um tanto estilizado pelas multidões mais afeitas a espectadoras imóveis dos shows de rock do que à ginga do samba e à graça das marchinhas. Parecia, mas era guerra. Mais uma, não bastando Eduardo Cunha versus governo, Lava Jato versus corrupção na Petrobras, PSDB contra PT, imprensa contra Lula, e as muitas menos prestigiadas pelos bombardeios.

Duas combatentes, entrevistadas como diretoras de um bloco, diziam coisas sem nexo: trabalham o ano inteiro na organização do bloco, apesar dos seus diplomas universitários só se ocupam do bloco, organizá-lo exige muitas reuniões de trabalho. Mas o bloco nada tem de especial, nem fantasias próprias, nem alegorias, nada. Só gente, gente, gente. E cerveja, cerveja, cerveja. Mas tem novidades, sim. Inovações de verdade.

Uma nova profissão: fundador e diretor de bloco, antes ocupação amadora, tornou-se profissão. Emprego sem risco de demissão. O velho “general da banda” só deu samba, mas ser general ou generala de bloco dá dinheiro. É que os fabricantes de cerveja trouxeram para as ruas a guerra até então disputada só na TV e nos bares.

O grande aumento do número de blocos no Rio e em São Paulo neste ano, apoiado no grande aumento do incentivo “jornalístico” para o comparecimento das massas, foi fabricado e financeiramente bancado por indústrias de cerveja. Um programa desenvolvido ao longo do ano. Cada multidão com nome de bloco veio a ser, na verdade e sem saber, como uma reunião inumerável de pontos de venda: a multidão de consumidores acompanhados pela multidão de carrocinhas, carrinhos, triciclos vendendo latas de cerveja. E aí a chave do negócio: em cada bloco, cerveja de um só fabricante. Exclusivo, aliás, de numerosos blocos, áreas de concentração e de dispersão.

Para as cervejeiras envolvidas, uma operação em tudo bem sucedida. Para a guerra entre o marketing, promotor de vendas, e os consumidores, desinformados e compelidos, uma evidência a mais de que a liberdade de escolha e a educação para o gosto consciente estão irrefreavelmente derrotadas. E, no entanto, eram valores da cidadania.”