GETÚLIO e a CLT.

28/abril/2017
Cheguei à Cinelândia por volta das 16:30 h, o motorista do taxi que me levou do Largi do Machado até a Cinelândia pela Praia do Flamengo me perguntou quando entrei:
– E a greve?
Olhei para a rua e estava vazia, quase nenhum carro, então eu disse a ele:
– Hoje é sexta-feira e as ruas estão vazias.
Respondeu ele:
– é verdade fiquei num ponto no Lido e durante todo o dia fiz três(3) viagens do Lido até o Rio Sul, então como não consegui minha diária, resolvi rodar na rua e voce é o primeiro passageiro que pego.
Então lhe disse: essa é a greve.
Desci na esquina do ODEON fui caminhando e entre o Amarelinho e a Câmara Municipal, encontrei companheiras e companheiros. Ficamos conversando até que começaram as bombas, muitas bombas.
Como na última manifestação fiquei cheirando gas lacrimogênio dentro do Amarelinho, saí caminhando até a rua Senador Dantas e nos dirigimos para o lado do Passeio Público, antes do teatro os vândalos apareceram, vinham nas motos, arma empunho e várias pessoas param. Gritei não parem, não parem e só ouvimos as explosões atrás de nós.
O que não sabiamos na esquina perto do Teatro Palácio os vândalos tinham jogado bomba de gás lacrimogênio e lá não tinha ninguém: chorei até em frente a Sala Cecilia Meirelles.
Seguimos pela Rua da Lapa até que na esquina da Cabdido Mndes já esravam companheiros sentados no bar. Sentamos e depois eles chegaram, claro que antes chegaram as bombas. Eles quem os bárbaros da PM-RJ, consegui pagar a conta e fui andando, no metrô da Glória, ainda estava com meia porta aberta. Entrei ecdesci no Largo do Machado.
Eles barbarizaram até a Rua do Catete e eu carregando um estandarte que tinha a foto do Getúlio Vargas e embaixo escrito CLT.
Nunca havia pensado que aquele que morreu e permitiu ver uma manifestação de homens apedrejar uma casa em Aracajú quando minha mãe me pegou no Jardim de Infância da Prefeitura de Aracajú antes do fim normal e chorava, chorava muito, depois entendi: minha mãe era Getulista e tinha tirado o título de eleitora em virtude do governo do Getúlio.
A vida roda e violência do capital continua.

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