Domingo 18 de junho de 2017

A loucura que se estabeleceu no Brasil quando tiraram a Presidenta Dilma Rousseff e colocaram na direção do pais um grupo de corruptos.

FLORA DAEMON

18 DE JUNHO DE 2017

Hoje eu tomei um soco no rosto. O primeiro em 35 anos. Assim, no meio da rua, num domingo ensolarado, na frente de duas ou três dezenas de pessoas. Apanhei porque não permiti que alguém fosse linchado por ter roubado um celular de uma mulher que, por sua vez, não queria prestar queixa na delegacia. Fui machucada, ofendida, empurrada e ameaçada por vários, incluindo um sujeito armado, porque defendi em alto e bom som que o homem fosse encaminhado para a polícia para que, nessa instância, as medidas fossem tomadas. Não ousei, sendo minoria absoluta na cena bizarra, entoar qualquer frase que rimasse com direitos humanos. Eu só tentava fazer com que aquele corpo negro estendido no chão não fosse chutado, esmurrado, humilhado. Apanhei, fui cercada e xingada por vários sendo mulher, branca e desarmada num bairro da zona sul carioca. E assim agi porque (já) sabia que se tratavam dessa maneira minha dignidade e meu corpo, a pisada no pescoço para “imobilizar” o homem negro não arrefeceria a sede de sangue dessa classe média pavorosa. O fascismo está vencendo. E a responsabilidade é nossa que assistimos, consternados, essa “gente de bem” fazendo “justiça” com suas próprias mãos. Estou farta de tudo. Inclusive desses olhos que desviam da dor alheia.

A foto, lamentável, não me constrange. E se você acha “desnecessária” essa publicação, talvez deva andar mais pelo Rio de Janeiro.

Flora Daemon
Flora Daemon

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